Artigos

Lima, N. W., Vazata, P. A. V., Ostermann, F., Cavalcanti, C. J. H., & Moraes, A. G. (2019).

Educação em ciências nos tempos de pós-verdade: reflexões metafísicas a partir dos estudos das ciências de Bruno Latour.

O termo pós-verdade foi escolhido como palavra do ano pelo dicionário Oxford em 2016. Hoje, vemos a proliferação do termo fake news bem como a divulgação de visões alternativas à ciência, como o terraplanismo, terapias integrativas, e negação do aquecimento global antropogênico. Não raramente, o pós-modernismo é responsabilizado por subsidiar teoricamente tais movimentos. No presente artigo, defendemos a tese de que tanto o discurso oficial da ciência (discurso modernista) bem como algumas de suas principais críticas (inclusive o pós-modernismo) parecem ser proposições que sustentam o atual cenário de produção e proliferação de pós-verdades.  A partir dos Estudos das Ciências de Bruno Latour, fazemos uma reflexão sobre as bases metafísicas de tais perspectivas e apresentamos uma explicação de como se dá a formação da “pós-verdade” através de dois mecanismos distintos, a dizer, a apresentação de uma visão reduzida da natureza da ciência e o apagamento da rede que sustenta proposições científicas. Defendemos, também, como a Educação em Ciências pode se valer de uma base metafísica alternativa, desenvolvida por Latour e colaboradores em dialogia com diferentes vertentes filosóficas e sociológicas, contribuindo para a formação de cidadãos capazes de se posicionar criticamente no cenário sociocientífico contemporâneo.

Lima, N. W., Vazata, P. A. V., Ostermann, F., Cavalcanti, C. J. H., & Moraes, A. G. (2019). Educação em ciências nos tempos de pós-verdade: reflexões metafísicas a partir dos estudos das ciências de Bruno Latour. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, 155–189. https://doi.org/10.28976/1984-2686rbpec2019u155189

Vilela, M. L., & Selles, S. E. (2020).

É possível uma Educação em Ciências crítica em tempos de negacionismo científico?

Neste artigo, debatemos o negacionismo científico como uma ressignificação atual para antigas rejeições ao papel da ciência, indicando seu enraizamento ideológico num amplo movimento conservador que assola a contemporaneidade e é movido velozmente pelas redes sociais. Construímos nossa argumentação aceitando a provocação de Bruno Latour (2020) segundo a qual poderíamos ter “errado na dose” em nossas críticas à ciência e desfigurado a crítica a uma ciência positivista e empiricista ao divulgar seus meandros. Para isso, revisitamos algumas das significativas contribuições da produção em Educação em Ciências para encontrar pistas que nos levassem a inquirir mais fortemente em que medida o reforço à crítica teria contribuído para disseminar uma visão que fragilizasse a confiança na ciência. Em especial, indagamos se nossos esforços em afirmar a dúvida como constitutiva do processo de produzir o conhecimento científico teriam dado sinais de que a validade do conhecimento seria questionável. Essa incursão resultou na necessidade de reafirmar a não alienação dos sujeitos nas dinâmicas educativas, de modo a torná-los mais conscientes dos limites da ciência e mais alertas acerca da complexidade das pressões sociais que produzem o negacionismo. Concluímos apostando nas possibilidades do currículo narrativo (GOODSON, 2019) para enfrentamento das fragilidades dos processos educativos que separam as vidas dos estudantes dos processos de aprendizagem. Ao secundarizar as alternativas de integrar conteúdos científicos com outros saberes e formas de expressão humanas, as finalidades educativas correm o risco de reforçar ações performáticas que continuam a produzir exclusão.

Vilela, M. L., & Selles, S. E. (2020). É possível uma Educação em Ciências crítica em tempos de negacionismo científico? Caderno Brasileiro de Ensino de Física, 37(3), 1722–1747. https://doi.org/10.5007/2175-7941.2020v37n3p1722

Cassiani, S., Selles, S. L. E., & Ostermann, F. (2022).

Negacionismo científico e crítica à Ciência: interrogações decoloniais.

Esse editorial aborda o tema do negacionismo científico e a crítica à Ciência sob uma perspectiva decolonial, destacando a relevância do enfrentamento da desinformação, especialmente durante a pandemia. O texto ressalta a importância de combater a propagação de fake news e questiona os limites da atividade científica, levantando a possibilidade de que críticas à Ciência possam fortalecer os argumentos dos negacionistas. Além disso, enfatiza a necessidade de solidariedade e compaixão em tempos de crise, destacando o papel fundamental da comunidade científica em promover o diálogo e a cooperação. A reflexão sobre o racismo e a busca por uma educação antirracista são temas centrais, evidenciando a urgência de enfrentar as injustiças sociais presentes na sociedade. O texto convida à reflexão sobre o papel da Ciência diante dos desafios sociais e políticos contemporâneos, ressaltando a importância de uma abordagem crítica e engajada.

Cassiani, S., Selles, S. L. E., & Ostermann, F. (2022). Negacionismo científico e crítica à Ciência: interrogações decoloniais. Ciência & Educação, 28, e22000. https://doi.org/10.1590/1516-731320220000 (Editorial)

Nascimento, M., & Massi, L. (2023).

Compreendendo o negacionismo científico a partir da teoria dos campos de Bourdieu e da perspectiva transversalista da ciência.

O episódio da fosfoetanolamina, um dos primeiros e mais institucionalizados casos de negacionismo científico, é objeto deste artigo por ilustrar a ingerência política na ciência. Neste artigo estudamos o caso a partir de estudos publicados, documentos oficiais, materiais produzidos pela imprensa, assim como postagens em redes sociais, por meio da teoria dos campos e da perspectiva da ciência transversalista, que apontam para as relações entre campos que extrapolam critérios internos ao campo científico. Como resultado, podemos compreender o negacionismo científico como um fenômeno transversalista de interpenetração entre campos. Discutimos o negacionismo como decorrência do enfraquecimento das fronteiras do campo científico apontando para sua heteronomia e procuramos ilustrar como esse caso extrapolou as dinâmicas internas do campo científico, trazendo dinâmicas transversais como forças importantes de disputa neste episódio (como a jurídica e midiática) e mostramos as relações de interpenetração entre o campo científico e os outros microcosmos sociais.

Nascimento, M., & Massi, L. (2023). Compreendendo o negacionismo científico a partir da teoria dos campos de Bourdieu e da perspectiva transversalista da ciência. Estudos de Sociologia, e023007. https://doi.org/10.52780/res.v28iesp.1.17383

Selles, S. E., do Nascimento Borba, R. C., Venancio, B., & Azevedo, M. (2024).

Negacionismo científico no currículo de Biologia do Novo Ensino Médio do estado de Minas Gerais: ideologia, conhecimento e justiça social.

Dentre as principais questões em voga no campo da Educação em Ciências estão o Novo Ensino Médio e o negacionismo científico. Articulando reflexões em torno dessas pautas, o artigo tem como objetivo investigar em que medida os currículos de Biologia prescritos no cenário de reforma do Ensino Médio oportunizam discussões e desconstruções do negacionismo científico e quais sentidos são configurados em seus documentos. Para isso, fundamenta-se teórica e metodologicamente em estudos do campo do Currículo e focaliza as narrativas sistêmicas sobre a disciplina escolar Biologia no cenário de Minas Gerais. A partir de uma pesquisa documental, o trabalho escrutina as prescrições curriculares, buscando localizar e refletir sobre os discursos presentes em documentos oficiais elaborados pelo governo mineiro a respeito do negacionismo científico e seus assuntos correlatos, como fake news e pós-verdade. A análise desenvolvida também aborda considerações sobre desdobramentos possíveis para a prática pedagógica e o trabalho docente. Conclui-se que as narrativas sistêmicas materializadas nos documentos oficiais voltados ao ensino de Biologia em Minas Gerais são evasivas em relação ao enfrentamento do negacionismo científico, negligenciando o fomento crítico à construção de conceitos e valores científicos e epistêmicos por professores e estudantes. Por outro lado, tais narrativas investem em uma lógica neotecnicista e instrumental que se orienta pela pedagogia das competências, condizente com perspectivas educacionais alinhadas à lógica de formação mercadológica que vai de encontro à proposta de formação crítica, cidadã e emancipadora há décadas defendida pela pesquisa em Educação em Ciências.

Selles, S. E., do Nascimento Borba, R. C., Venancio, B., & Azevedo, M. (2024). Negacionismo científico no currículo de Biologia do Novo Ensino Médio do estado de Minas Gerais: ideologia, conhecimento e justiça social. Revista Ponto de Vista, 13(2), 01–22. https://doi.org/10.47328/rpv.v13i2.16897

Rodrigues, D. A. M., Lorenzetti, L., Selles, S. E. (2025)

Enfrentamento ao negacionismo científico e a promoção da alfabetização científica e tecnológica nos currículos estaduais de ciências do Nordeste brasileiro

Objetiva-se compreender o processo de estabilidade e mudança explicitados em currículos estaduais de ciências da região Nordeste do Brasil após a elaboração da Base Nacional Comum Curricular, tendo em vista a problematização da alfabetização científica e tecnológica e as possibilidades de enfrentar o negacionismo científico. O trabalho foi orientado por um paradigma qualitativo e situa-se como pesquisa documental. Os currículos estaduais foram identificados no site de cada rede estadual de ensino. A análise desses documentos curriculares foi mediada pela Análise Textual Discursiva. Apresentam-se três categorias: 1. Combate incipiente a “fake news”; 2. Conhecimento científico como uma construção histórica, cultural, política e ideológica; e 3. Sentidos contraditórios sobre a alfabetização e o letramento científico. Concluímos que os novos currículos de ciências precisam explicitar o negacionismo científico como um dos principais desafios do século XXI.

Rodrigues, D. A. M., Sandra, L. L., & Selles, E. (2025). Enfrentamento ao negacionismo científico e a promoção da alfabetização científica e tecnológica nos currículos estaduais de ciências do Nordeste brasileiro. REEC: Revista electrónica de enseñanza de las ciencias24(1), 99-122. http://reec.uvigo.es/volumenes/volumen24/REEC_24_01_06_ex2222_1094.pdf

SELLES, S. E.; CASSIANI, SUZANI ; CORDERO, S. ; Berna-Castrol, I.C. (2026)

Enseñanza de la biología en tiempos de negacionismo científico

En los últimos años, y en especial con la pandemia de la covid-19, hemos sido testigos de cómo las imágenes alre-dedor de la ciencia permean múltiples ámbitos de la vida social. La Educación en Biología no es ajena a esta situa-ción pues este campo se ve abocado a la enseñanza y la comunicación de la ciencia.En el devenir histórico de las ciencias, las controversias y las negaciones científicas han operado como resistencia al conocimiento que circula en la sociedad, provocando rechazos y obstáculos. Por ejemplo, en el siglo xx, particu-larmente en los Estados Unidos de Norteamérica, se han dado posiciones negacionistas respecto de la teoría de la evolución o incluso de la esfericidad de la Tierra. Las ciencias también han sido empleadas para fundamentar injusti-cias sociales que varios grupos continúan padeciendo: “los negros son poco inteligentes”, “las mujeres son débiles”, “los homosexuales no son normales”, “los pobres no razonan”, sin tener en cuenta las opresiones y el contexto de sufrimiento que han producido una y otra vez tantas violencias y desigualdades sociales. Afirmaciones como estas tienden a asociar la confiabilidad de la ciencia con ideologías políticas, arrojando sospechas sobre el trabajo de la comunidad científica. Asimismo, discursos anticientíficos diseminados por internet, que defienden ideas como “las vacunas no sirven” o “el cambio climático no existe”, llaman la atención de la ciudadanía muchas veces por su radicalismo, propagando rápidamente el desprestigio y la pérdida de la aceptación y la confianza en la ciencia.

SELLES, Sandra Escovedo et al. Enseñanza de la biología en tiempos de negacionismo científico. Bio-grafía. Escritos Sobre la Biología y su Enseñanza, v. 19, n. 36, p. 20, 2026.
https://revistas.upn.edu.co/index.php/bio-grafia/article/view/24760/15882

VENANCIO, B.; COSTA, J. G. M. ; SELLES, S. L. E. (2026)

Entre a Censura e a Autonomia: Desafios Educacionais Frente aos Movimentos Reacionários

El objetivo de este artículo es discutir, a partir de tres casos de docentes sancionados por abordar ciertos temas en el aula, cómo los movimientos negacionistas y conservadores actúan para restringir las prácticas docentes. En este sentido, seleccionamos tres informes, provenientes de Brasil, que muestran cómo el contenido de biología puede plantear problemas para la labor docente, especialmente en lo que respecta al control del trabajo en el aula. Analizamos el impacto de dos corrientes que amenazan la docencia y la enseñanza de la biología: los negacionistas y los conservadores, especialmente en su articulación con movimientos que restringen la enseñanza, como el Movimiento Escola Sem Partido. Comprender cómo actúan estos grupos y sus formas de intentar silenciar ciertos temas y contenidos es crucial en un contexto donde la ciencia se pone constantemente a prueba. Por lo tanto, destacamos estas articulaciones y abogamos por un trabajo colectivo y plural que permita desarrollar tácticas de resistencia que valoren a los docentes y permitan una enseñanza de la biología contextualizada que permita enfrentar el negacionismo.

VENANCIO, Bruno; DAS MERCÊS COSTA, Jéssica Gomes; SELLES, Sandra Escovedo. Entre la censura y la autonomía: desafíos educativos ante los movimientos reaccionarios. Bio-grafía: escritos sobre la biología y su enseñanza, v. 19, n. 36, p. 9, 2026.
https://doi.org/10.17227/bio-grafia.vol.19.num36-23363

VENANCIO, B.; SELLES, S. L. E. (2025)

NEGACIONISMO CIENTÍFICO EN LA AGENDA EDUCATIVA

Discutimos neste artigo algumas reflexões que foram construídas em uma oficina realizada no VI Encontro Regional de Ensino de Biologia, na cidade Uberaba- MG, no intuito de discutir possibilidades de o ensino de ciências e biologia no enfrentamento do negacionismo científico. Ao longo do texto, propomos um diálogo com produções do campo de Educação em Ciências que têm se debruçado nesse assunto sob diferentes vertentes para examinar como políticas curriculares que operam nas diversas esferas educacionais em nosso país se posicionam nesse debate. A análise sugere que dimensões curriculares, nelas incluídas a formação docente, são partes cruciais para o enfrentamento do negacionismo. Ademais, quando as orientações curriculares seguem um viés aplicacionista e ligado a concepção de habilidades e competências, elas ameaçam a aprendizagem científica como processo sócio-histórico que criticamente reconhece o valor do conhecimento científico, necessário para o combate ao negacionismo.

VENANCIO, Bruno; SELLES, Sandra Escovedo. Negacionismo científico em pautas educacionais: desafios para o ensino de Ciências e Biologia. Revista Triângulo, v. 18, n. Esp. 1, p. e025028-e025028, 2025.
https://doi.org/10.18554/rt.v18iEsp.1.7909

SELLES, S. L. E. ; BORBA, R. C. N. ; VENANCIO, B. ; AZEVEDO, M. (2024)

Negacionismo científico no currículo de Biologia do Novo Ensino Médiodo Estado de Minas Gerais: ideologia, conhecimento e justiça social

Dentre as principais questões em voga no campo da Educação em Ciências estão o Novo Ensino Médio e o negacionismo científico. Articulando reflexões em torno dessas pautas, o artigo tem como objetivo investigar em que medida os currículos de Biologia prescritos no cenário de reforma do Ensino Médio oportunizam discussões e desconstruções do negacionismo científico e quais sentidos são configurados em seus documentos. Para isso, fundamenta-se teórica e metodologicamente em estudos do campo do Currículo e focaliza as narrativas sistêmicas sobre a disciplina escolar Biologia no cenário de Minas Gerais. A partir de uma pesquisa documental, o trabalho escrutina as prescrições curriculares, buscando localizar e refletir sobre os discursos presentes em documentos oficiais elaborados pelo governo mineiro a respeito do negacionismo científico e seus assuntos correlatos, como fake news e pós-verdade. A análise desenvolvida também aborda considerações sobre desdobramentos possíveis para a prática pedagógica e o trabalho docente. Conclui-se que as narrativas sistêmicas materializadas nos documentos oficiais voltados ao ensino de Biologia em Minas Gerais são evasivas em relação ao enfrentamento do negacionismo científico, negligenciando o fomento crítico à construção de conceitos e valores científicos e epistêmicos por professores e estudantes. Por outro lado, tais narrativas investem em uma lógica neotecnicista e instrumental que se orienta pela pedagogia das competências, condizente com perspectivas educacionais alinhadas à lógica de formação mercadológica que vai de encontro à proposta de formação crítica, cidadã e emancipadora há décadas defendida pela pesquisa em Educação em Ciências.

ESCOVEDO SELLES, Sandra; CERQUEIRA DO NASCIMENTO BORBA, Rodrigo; VENANCIO DE OLIVEIRA, Bruno; AZEVEDO, Maicon. Negacionismo científico no currículo de Biologia do Novo Ensino Médiodo Estado de Minas Gerais:: ideologia, conhecimento e justiça social. Revista Ponto de Vista, [S. l.], v. 13, n. 2, p. 01–22, 2024.
https://doi.org/10.47328/rpv.v13i2.16897

Venancio, B., Selles, S. E. ., Borba, R. C. do N. ., & Azevedo, M. (2024)

Algumas questões sobre a interdisciplinaridade e integração nas licenciaturas em ciências naturais no Brasil.

Este texto discute a interdisciplinaridade na formação docente em Ciências a partir de uma investigação que analisa os cursos de Licenciatura em Ciências Naturais/da Natureza no Brasil. Discutimos como a proposta interdisciplinar se efetiva em alguns desses cursos a partir de um olhardas produções que investigam essas licenciaturas. A partir das análises, é possível perceber alguns desencontros entre o que se propõe e o que se realiza, uma vez que a literatura nos indica certas fragilidades na execução de uma formação interdisciplinar.

VENANCIO, Bruno; SELLES, Sandra Escovedo; USSA, Édgar Orlay Valbuena. Formación inicial de profesores en programas de Ciencias Naturales en Brasil y Colombia. In: Memorias de las Jornadas Nacionales y Congreso Internacional en Enseñanza de la Biología. 2024. p. 222-224.
https://revistas.upn.edu.co/index.php/TED/article/view/21002/13496

Venancio, B., Selles, S. E. ., Borba, R. C. do N. ., & Azevedo, M. (2024)

Licenciaturas em Ciências Naturais
configurando alinhamentos e “novas” tensões entre matrizes na formação de professores em tempos de BNC-Formação

O artigo analisa aproximações traçadas entre propostas de cursos de Licenciatura em Ciências Naturais e novas políticas curriculares, discutindo intercessões e questões para a formação docente. Em diálogo com o campo do Currículo, a pesquisa combina análises de fontes documentais e orais para localizar disputas entre diferentes concepções de conhecimento e de modelos formativos para a docência em Ciências e Biologia. Os resultados sugerem que os referidos cursos têm se apropriado de discursos sobre interdisciplinaridade que revivem perspectivas de integração curricular historicamente postas para a Educação em Ciências, mas problematizáveis epistemológica e pedagogicamente. Conclui-se que tais licenciaturas correm o risco de naturalizar elementos das políticas educacionais neoliberais que tentam controlar e regular a formação docente, no alinhamento da BNC-Formação à BNCC.

Venancio, B., Selles, S. E. ., Borba, R. C. do N. ., & Azevedo, M. (2024). Licenciaturas em Ciências Naturais: configurando alinhamentos e “novas” tensões entre matrizes na formação de professores em tempos de BNC-Formação. Revista E-Curriculum, 22, e65227.
https://doi.org/10.23925/1809-3876.2024v22e65227

MERCES, J. G. ; SELLES, S. E. ; CARMO, E. M. (2025)

Os Conceitos de consciência ingênua e consciência crítica de Álvaro Vieira Pinto (1907-1985)

Este artigo discute a configuração curricular da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) à luz da teoria educacional de Álvaro Vieira Pinto. Através de uma análise documental, concepções de educação, ser humano e saber de Vieira Pinto são tensionadas com os conceitos da política nacional. Nos anos 1960, Vieira Pinto vivenciou disputas por espaços no currículo durante a produção da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação, influenciando sua obra. Ao evidenciar os conceitos presentes na obra do intelectual e no texto da política nacional é importante considerar os diferentes contextos históricos das produções. Para Vieira Pinto, em suas teorias e concepções, a consciência crítica é antítese da consciência ingênua. Para ele, o interesse em enfatizar somente parte da realidade, em conhecimentos finitos e baseado na consciência dos outros sobre o nós, faz com que o ser humano seja um ser inautêntico. Com quatro questões primordiais apresentadas por Vieira Pinto, “A quem educar? Quem educa? Com que finalidade? Por que meios?”, as concepções presentes no texto da BNCC são tensionadas diante do ideário gerencialista e neoliberal desta política educacional.

MERCÊS, Jéssica Gomes; SELLES, Sandra Lúcia Escovedo; CARMO, Edinaldo Medeiros. Os Conceitos de consciência ingênua e consciência crítica de Álvaro Vieira Pinto (1907-1985): Ponderações sobre sua contribuição para analisar o ideário pedagógico da BNCC. Ambiente: Gestão e Desenvolvimento, 2025.
https://doi.org/10.24979/ambiente.vi.1633

COSTA, J. G. M. ; CARMO, E. M. (2024)

As teorias de currículo nos documentos educacionais brasileiros

As teorias de currículo fundamentam as finalidades e projeções sobre a escola e todos os objetos e sujeitos que a compõem. Este artigo objetiva analisar como as teorias de currículo se difundem em documentos educacionais brasileiros, mais especificamente na Base Nacional Comum Curricular e no Documento Curricular Referencial da Bahia. Para isso, utilizou-se a abordagem do Ciclo de Políticas de Stephen Ball e colaboradores como método de análise das políticas supracitadas. Assim, foi possível perceber as influências das três teorias curriculares (tradicional, crítica e pós-crítica) nos textos dos documentos educacionais que orientam a produção dos currículos escolares. Os resultados mostram uma tendência da Base Nacional a se fundamentar na teoria tradicional e, algumas vezes, na teoria crítica, enquanto o Currículo Bahia tem uma perspectiva curricular mais voltada para as teorias crítica e pós-crítica. É importante ponderar que o Currículo Bahia é um texto secundário da Base Nacional, ainda assim, apresenta elementos que divergem da política nacional.

DAS MERCÊS, Jéssica Gomes; CARMO, Edinaldo Medeiros. As teorias de currículo nos documentos educacionais brasileiros. Revista Espaço do Currículo, v. 17, n. 1, 2024.
https://doi.org/10.15687/rec.v17i1.66076

SILVA, A. M. ; CARMO, E. M. ; SELLES, S. E. (2023)

SABERES DIDÁTICO-PEDAGÓGICOS NOS PRIMEIROS ANOS DA DOCÊNCIA: APONTAMENTOS PARA A FORMAÇÃO DOCENTE

Este estudo apresenta resultados de uma pesquisa de natureza qualitativa que teve como objetivo compreender como os/as professores/as de Ciências e Biologia, no início de carreira, constroem saberes didático-pedagógicos nas suas práticas cotidianas. Os dados foram produzidos por meio de entrevista semiestruturada, desenvolvida com quatro professores das disciplinas escolares Ciências e Biologia, em escolas públicas, na cidade de Vitória da Conquista, Bahia. A Análise de Conteúdo foi empregada, mediante uma imersão nas narrativas dos/as professores/as, por meio da qual analisamos o contexto das suas práticas, o que nos permitiu registrar modos de fazer docente. A análise sugere que parte dos saberes didático-pedagógicos desenvolvidos pelos/as professores/as no início da atuação profissional é situada, isto é, constituída por meio de uma articulação entre conhecimentos aprendidos na formação inicial e aqueles que emergem da ação no contexto da sala de aula, o que possibilita a construção de um estilo próprio de ensinar, favorecendo o emergir de artes de fazer (Certeau, 1994). Nesse sentido, formas particulares são criadas ao abordar o conteúdo das disciplinas escolares em situações reais de ensino, proporcionando a construção dos saberes em início de carreira.

MERCÊS, Jéssica Gomes; CARMO, Edinaldo Medeiros. As teorias de currículo nos documentos educacionais brasileiros. Revista Espaço do Currículo, v. 17, n. 1, 2024.
https://doi.org/10.22600/1518-8795.ienci2023v28n2p01

COSTA, J. G. M. ; CARMO, E. M. (2022)

A consolidação dos discursos neoliberais no componente curricular Ciências

O presente artigo pretende discutir como o discurso neoliberal tem se intensificado a partir da Base Nacional Comum Curricular e configurado o componente curricular Ciências. As políticas públicas educacionais são projetadas e produzidas para que a escola acompanhe as mudanças sociais, ideológicas, econômicas, políticas e culturais dos diferentes tempos e locais da sociedade. No Brasil, é possível observar que desde a década de 1990 se intensificaram os discursos neoliberais nas políticas educacionais, isso se amplia com a produção (em 2015) e homologação (em 2017 e 2018) da BNCC. Utilizando a abordagem teórico-metodológica do Ciclo de Políticas de Stephen Ball e colaboradores foi possível analisar os contextos de influência e de produção de texto do referido documento. Assim, foi observado que os processos de idealização e produção da BNCC configuraram à disciplina escolar Ciências um caráter positivista e utilitarista, se distanciando das propostas de formação humana e integral dos indivíduos e focando em propostas de produção de capital humano para o mercado de trabalho.

CARMO, Edinaldo Medeiros; GOMES DAS MERCÊS COSTA, Jéssica. A CONSOLIDAÇÃO DOS DISCURSOS NEOLIBERAIS NO COMPONENTE CURRICULAR CIÊNCIAS. Revista Binacional Brasil-Argentina: Diálogo entre as ciências, [S. l.], v. 11, n. 02, p. 198–208, 2022.
https://doi.org/10.22481/rbba.v11i02.11567

SILVA, A. M. ; CARMO, E. M. ; SELLES, S. E. (2022)

Produção do Currículo Bahia e a disciplina escolar Ciências: uma análise centrada nos temas integradores

O presente artigo tem como objetivo analisar os desdobramentos e releituras da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que culminaram no texto Documento Curricular Referencial da Bahia para Educação Infantil e Ensino Fundamental (DCRB), bem como sua influência na disciplina escolar Ciências. Após a homologação da BNCC, iniciou-se a construção de textos secundários que auxiliaram na sua implementação nos estados e municípios, assim, no estado da Bahia foi desenvolvido o DCRB. Por meio da análise dos textos foi possível observar as permanências e as rupturas de diferentes discursos e configurações, resultado dos processos de releituras da Base Nacional. Dessa forma, o Documento Curricular baiano destaca temas importantes que foram silenciados ou minimizados no texto final da BNCC. Nesse contexto, a disciplina escolar Ciências, presente no DCRB, propõe um ensino mais amplo, significativo e que possibilita uma formação mais integral dos estudantes.

COSTA, Jéssica Gomes das Mercês; CARMO, Edinaldo Medeiros. Produção do Currículo Bahia ea disciplina escolar Ciências: uma análise centrada nos temas integradores. Ciência & Educação (Bauru), v. 28, p. e22057, 2022.
https://doi.org/10.1590/1516-731320220057

Barbosa, A. T.; Cassiani, S.; Diniz, V. L. (2023)

Leitura do mundo e da palavra: a leitura decolonial de fotografias no ensino de Biologia

Este estudo apresenta resultados de uma pesquisa de natureza qualitativa que teve como objetivo compreender como os/as professores/as de Ciências e Biologia, no início de carreira, constroem saberes didático-pedagógicos nas suas práticas cotidianas. Os dados foram produzidos por meio de entrevista semiestruturada, desenvolvida com quatro professores das disciplinas escolares Ciências e Biologia, em escolas públicas, na cidade de Vitória da Conquista, Bahia. A Análise de Conteúdo foi empregada, mediante uma imersão nas narrativas dos/as professores/as, por meio da qual analisamos o contexto das suas práticas, o que nos permitiu registrar modos de fazer docente. A análise sugere que parte dos saberes didático-pedagógicos desenvolvidos pelos/as professores/as no início da atuação profissional é situada, isto é, constituída por meio de uma articulação entre conhecimentos aprendidos na formação inicial e aqueles que emergem da ação no contexto da sala de aula, o que possibilita a construção de um estilo próprio de ensinar, favorecendo o emergir de artes de fazer (Certeau, 1994). Nesse sentido, formas particulares são criadas ao abordar o conteúdo das disciplinas escolares em situações reais de ensino, proporcionando a construção dos saberes em início de carreira.

BARBOSA, Alessandro Tomaz; DINIZ, Vanessa Lessio; CASSIANI, Suzani. Leitura do mundo e da palavra: a leitura decolonial de fotografias no Ensino de Biologia. Interritórios, v. 9, n. 18, p. 1-29, 2023.

https://doi.org/10.51359/2525-7668.2023.259022

Terra, D., Hormazábal, R. y Castro, P. (2023)

Narrativas del profesorado: la experiencia del curriculum neoliberal en docentes de Brasil y Chile.

El texto es un diálogo de tres professores/as de Brasil y Chile que, a partir de dos experiencias de investigación, describen y analizan cómo las políticas curriculares nacionales en los dos países están marcadas por entidades y organizaciones como el Banco Mundial (BM), el Banco Interamericano de Desarrollo (BID) y la Organización de Estados Iberoamericanos (OEI). Estas políticas están sostenidas por las dinámicas del mercado que, a través de su poder, controlan y buscan mantener un nuevo orden económico mundial. El objetivo fue señalar cómo algunos elementos de estas políticas se manifiestan en la experiencia brasileña y chilena en ciertos documentos de políticas curriculares para la educación básica, la formación y práctica de los profesores/as. Aunque estén fragilizadas, las narrativas revelan que los/as profesores/as conocen lo que las políticas pretenden y aquellos/as que encuentran espacio de trabajo colectivo tratan de trascender, de alguna manera, buscando la calidad de la educación pertinente para los estudiantes.

FAJARDO, Roxana Hormazábal; TERRA, Dinah Vasconcellos; CASTRO, Pedro Alves. Narrativas del profesorado: la experiencia del curriculum neoliberal en docentes de Brasil y Chile. Revista Teias, Rio de Janeiro, v. 24, n. 74, p. 278–292, 2023.

https://doi.org/10.12957/teias.2023.76024

Cabrera Di Piramo, C., & Cordero, S. (2024)

Escenarios y disputas institucionales en la gestación de la primera Facultad de Ciencias Exactas y Naturales de Uruguay (1985-1995) .

Planteamos una reconstrucción parcial de la historia institucional de la Universidad de la República (Udelar) de Uruguay entre finales de los 80 y comienzos de los 90 del siglo XX. Ese período estuvo marcado por condiciones del retorno a la democracia luego de la última dictadura cívico militar, que intervino la universidad pública. En la Udelar se produjo una escisión institucional que dio lugar a la gestación de la primera Facultad de Ciencias Exactas y Naturales del país. Desde la Educación Superior analizamos este proceso y sus disputas, identificando dos estilos institucionales en un camino de profesionalización académica.

Cabrera Di Piramo, C., & Cordero, S. (2024). Escenarios y disputas institucionales en la gestación de la primera Facultad de Ciencias Exactas y Naturales de Uruguay (1985-1995) . RAES – Revista Argentina De Educación Superior, (29), 63-76.

https://revistas.untref.edu.ar/index.php/raes/article/view/2079

Costa, Gabriel Araujo da; Kohen, Micaela; Pinto, Benjamin Carvalho Teixeira (2025)

Diálogos sobre as compreensões de uma professora de biologia para repensar o ensino das sexualidades

O presente artigo apresenta resultados parciais de um projeto de investigação sobre educação sexual no ensino de Biologia, no qual se busca produzir interlocuções com epistemologias feministas e queer e pedagogias emancipatórias. Essa literatura crítica denuncia como certos sujeitos e disciplinas foram autorizados a produzir conhecimento e ensinar sobre as sexualidades. Demonstram que, ao reduzir a experiência humana aos dados biológicos, promoveu-se um processo de naturalização das desigualdades de gênero. A partir dessas premissas, foi desenvolvida a observação participante das aulas de uma docente de Biologia na rede pública estadual. Posteriormente, os dados foram submetidos à Análise Textual Discursiva. Com isso, evidenciou-se que a professora tendencialmente reproduziu uma visão binarista sobre sexo/gênero. Em suas práticas encontramos certo indício de determinismo que pode estar guiando sua leitura de mundo. Apesar disso, chama a atenção que a docente se utilize de argumentos biológicos para legitimar identidades e lutas por direitos de grupos sexuais socialmente minorizados, mesmo que essa abordagem possa causar problemas. Este trabalho coloca em primeiro plano a necessidade de repensar a pesquisa, ensino e formação docente, possibilitando uma atuação profissional crítica com perspectiva de gênero.

COSTA, Gabriel Araujo da; KOHEN, Micaela; PINTO, Benjamin Carvalho Teixeira. DIÁLOGOS SOBRE AS COMPREENSÕES DE UMA PROFESSORA DE BIOLOGIA PARA REPENSAR O ENSINO DAS SEXUALIDADES.. In: Anais do EREBIO – Encontro Regional de Ensino de Biologia – RJ/ES – O ensino de Ciências e Biologia nas fronteiras da democratização do acesso à ciência: possibilidades e desafios em diferentes espaços educativos.. Anais…Rio de Janeiro(RJ) CEFET-RJ, 2025.
https://www.even3.com.br/anais/xi-erebio/1140965-dialogos-sobre-as-compreensoes-de-uma-professora-de-biologia-para-repensar-o-ensino-das-sexualidades/

Guillermo Fonseca A, Gonzalo Peñaloza, Sandra Ximena Ibáñez, Suzani Cassiani, Karina Cayani y Eduardo Ravanal (2024)

Esperanzar: una Propuesta de Educación en Biología de y para América Latina

Esperanzar: Una propuesta de Educación en Biología de y para América Latina, se deriva del desarrollo de la investigación “Educación en Biología y construcción de ciudadanías: Una perspectiva Latinoamericana”, en la cual participan estudiantes, maestros(as) e investigadores(as) de Colombia, Brasil, México, Perú y Chile. La investigación se desarrolla en tres fases, las dos primeras se fundamentan en los planteamientos metodológicos del paradigma interpretativo y la tercera en los presupuestos del paradigma sociocrítico. Los resultados evidencian la importancia de articular en la Educación en Biología, la construcción de ciudadanos críticos capaces de cuestionar el orden social. Para esto se usa como referencia la perspectiva epistémica de la ecología de los saberes y la pedagogía crítica, enfatizando en la necesidad de que las y los maestros se posicionen políticamente en torno a una Educación en Biología que responda a los problemas socioambientales y promueva una vida digna desde la justicia social para los niños, niñas, jóvenes y las comunidades de nuestra región.

FONSECA A, Guillermo et al. Esperanzar: uma Proposta de Ensino de Biologia da e para a América Latina. In: CONGRESO LATINOAMERICANO DE ENSEÑANZA DE LA BIOLOGÍA Y LA EDUCACIÓN AMBIENTAL, 12., 2024, Bogotá. Memorias… Bogotá: Revista Bio-grafía: Escritos sobre la Biología y su enseñanza, 2024. n. extraordinário, p. 606. ISSN 2619-3531.
https://revistas.upn.edu.co/index.php/bio-grafia/issue/view/772/112